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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Especial - Como um livro simples e empoeirado guardado em algum lugar da sua estante...


"Leia-me, caro amigo"

"Como um livro de capa simples, sem atrativos estéticos ou ilustrações auto-explicativas, esquecido em algum lugar da sua estante. Um dia, você por acaso decide folheá-lo, não com grande interesse, afinal, é só um livro sem graça que sempre esteve ali e você nunca se deu o trabalho de ler. Mas, no momento em que lê o primeiro parágrafo, você começa a ficar curioso sobre qual seria a história daquele livro estranho e decide fazer uma tentativa. Aos poucos, quase sem perceber, você acaba imerso na leitura, sem conseguir desgrudar dela, linha após linha, página após página, até chegar ao seu final surpreendente e imprevisível. E aí, só aí você se dará conta de quanto tempo perdeu sem dar valor aquele livro simples e empoeirado guardado em algum lugar da sua estante... aquele livro que continha nada mais, nada menos que a história mais emocionante que você poderia ter lido em toda a sua vida. E não importa quantas vezes você volte a folheá-lo, você jamais saberá o que esperar dele, pois ainda existem muitas páginas em branco; os capítulos estarão sempre mudando e a história estará sempre seguindo, até surgirem novos personagens e novos desfechos, porque a história desse livro é o romance de uma vida. Por isso, não julgue um livro pela capa; se tiver de julgá-lo, julgue-o pelo valor de sua história, pelo quanto ele lhe emocionou e lhe divertiu, e também pelo quanto ele possa ter contribuído para que você tenha escrito as suas próprias páginas. Mas acredite, caro leitor e escritor em potencial, ainda existem muitas páginas a serem escritas... e não existe nada como o tempo."



Image: Book Story1 by Azram on Deviantart



Creative Commons License
SETOR 3 by Bruno Felix Amaral is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Prólogo I


 

  Para todos os lados que eu possa olhar é sempre a mesma coisa: eu vejo um bando de hipócritas cuidando de suas vidinhas medíocres, idiotas que não valem o ar fétido que respiram. Estranho. É mais ou menos isso que vejo quando me olho no espelho, mas no caso é apenas UM idiota...


   Liam Thomas, 17 anos. Atualmente cursando o 3° ano do ensino médio.


PRÓLOGO - PARTE I



 "Parece ser extremamente difícil perceber que o mundo está lentamente caminhando para a própria cova. Ninguém tem a coragem de fazer alguma coisa, QUALQUER COISA que possa realmente mudar TUDO. A sociedade me enoja. As pessoas preferem viver no comodismo, são preguiçosas demais para tentar e por isso negligenciam a possibilidade da mudança. Acredite, essa possibilidade existe, ou deve existir.
  Odeio pensar que esta seja a verdade, que não exista esperança. O rumo que as coisas estão tomando, toda essa merda. Não. Odiar já não é o bastante... Há apenas uma lacuna que não pode ser preenchida, uma angustiante sensação de vazio. É como uma fenda que esmaga o meu coração. É frustrante...
  Qualquer um pensaria logo em por um fim nisso. Quero dizer, será que não seria mais fácil me jogar de uma ponte? Não. O suicídio não adianta, pois não provocaria nenhuma mudança significativa. Absolutamente NADA. Os "cidadãos de bem" continuariam acordando, comendo, cagando e andando, e quem sabe, fodendo, para depois dormir novamente e TCHAM! amanhã é um novo dia. Espere um pouco, me deixem  reparar o "e quem sabe, fodendo", porque eles sempre fodem com tudo. O inferno são os outros, disse um gênio, certa vez. Será que na verdade, o inferno sou eu? Estou começando a considerar a hipótese...
  É como eu já disse, nenhum esforço, nenhuma mudança. E seria: "Buááá, morreu!". Mas e depois? Não sei se alguém iria no meu funeral. Aposto que o meu tutor, Lionel, preferiria tomar uns tragos por aí do que ter a decência (ou não) de me enterrar. Amigos? Não, eu não sou tão sortudo. E também, quem se importa? Quero dizer, quem se importa de verdade?
  Merda, chega dessa falsa autopiedade. Muitas vezes o meu raciocínio tende a seguir esse caminho. Vamos seguir em frente...
  Os senhores diriam que é fácil condenar os outros, mas e quanto a mim? O que eu faço pelo mundo? Se o argumento é esse, lá vai a resposta: é, eu sou covarde o suficiente para sentar ao lado deles à mesa da negligência e da ignorância. Aplausos. É assim que funciona. Irônico, não é? É um puta de um ciclo vicioso...
  Deve ser por isso que escrevo essas merdas. Digo, esses pensamentos, essas idéias. Como uma forma de extravasar todo o desapontamento, uma maneira de "fazer algo". Eu sou um estudante mediano sem nenhuma perspectiva de futuro. Uma pessoa sem nenhuma vontade. Talvez meu único e não comprovado "talento" seja escrever. O que eu poderia fazer? Brilhante..."

  Eis o prólogo. Liam suspirou.  Minutos após escrever o primeiro rascunho, tinha produzido a primeira página. Era inédito.  Deixou o bloco de notas em cima da escrivaninha, junto do copo de requeijão que servia de porta-canetas, do despertador eletrônico e de algumas folhas de papel usadas, e se largou na cama. Ficou observando o teto por muito tempo, pensativo, antes de finalmente adormecer.
  Sonhou com um bêbado suicida subindo as escadas sujas de um edifício abandonado... rumo ao desfecho de sua vida. Daria um belo conto...



  Ele ainda não sabia, mas um fato aparentemente irrelevante iria mudar para sempre a sua vida. E também a porra do mundo.

Continua!
(Next: Prólogo II)

- Image by Galifardeu; The Last Letter, in Deviantart. -