sábado, 1 de janeiro de 2011

Perfil - Ano Novo... no trampo!


"Feliz 2011!"

   Eu sobrevivi ao camarão, à maionese, ao champanhe meia-boca e à reunião de família, mas não pude escapar da sombra nefasta das malditas obrigações do estágio. Aqui estou eu, enfurnado na empresa, trabalhando que nem um condenado, em pleno dia 01, vulgarmente conhecido como Dia da Confraternização Universal e feriado sagrado decretado pela lei e consenso geral! Argh!
   Mas, deixando de lado a minha triste sina, desejo a todos vocês um Feliz 2011!!! Que esse ano seja cheio de fortes emoções e grandes realizações para todos nós. Espero que 2011 seja bem melhor que o ano que passou... Brindemos (nem que seja com chamapanhe vagabunda...) a isso!



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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Perfil - Feliz Pós-Natal!!!


Feliz Pós-Natal!

  Infelizmente, não pude desejar-lhes um Feliz Natal porque felizmente (com o perdão da antítese) estava passando o feriadão longe da web! Comi que nem um ex-presidiário, bebi todas que eu podia (e que não podia, também) e tive uma longa conversa com o vaso. O grande porém é que as festas natalinas se foram rápido demais e já estou aqui, pegando no batente. Mas, como ninguém é de ferro, estou dando uma escapadinha do trabalho para dar uma atualizada no blog. Por sinal, esse mesmo blog que, admito, tenho deixado um pouco de lado nesse segundo semestre... Peço desculpas. Agora ,com a explosão do twitter (oh, vício), que é muito mais prático, acabei por me deixar levar pelas modernidades das redes sociais. Porém, pouco a pouco estarei retornando à pátria para renovar minhas idéias... Por isso, aguardem surpresas! 2011 vem aí e pretendo dar um novo rumo e, porque não, novos ares ao Setor 3.
  Até lá, desejo a todos um Feliz Pós-Natal!!!

Image: Natal_by_MyLittleWorld on Deviantart

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Ensaio 1.1 - Poker entre amigos | Parte 2


"Alea Jacta Est!"

II

   Quatro amigos e um ilustre desconhecido estavam sentados à mesa, disposta irresponsavelmente nos limites de um precipício, prestes a começar uma épica partida de poker. Os quatro se chamavam Desejo, Paixão, Amor e Razão, e se conheciam desde a infância, apesar de já fazer algum tempo desde seu último encontro. Quanto ao ilustre desconhecido, que preferiu permanecer no anonimato, só por brincadeira, parecia a eles um conhecido de longa data, pela grande familiaridade com que se tratavam. Enfim, formalidades à parte, tudo estava pronto para a maior aposta de suas vidas: a disputa por um valioso fragmento de coração. A sorte está lançada!
(...)
   Era uma noite escura e silenciosa. A Razão dava as cartas. Após cada um dos presentes ter recebido cinco cartas, foi definido que haveria uma única rodada de apostas, tendo como valor mínimo apostado o que houvesse de mais valioso para o jogador naquele momento, ou seja, o risco era duplo. Detalhes acertados, foram às cartas.
   O Desejo não gostou do que viu inicialmente, e pediu quatro cartas, dando um largo sorriso em seguida. A Paixão sorriu em deboxe e só pediu uma carta. O Amor, um tanto inseguro, pediu três cartas. A Razão, calculista, pediu duas cartas e triscou os dentes ao ver o resultado. O jogador anônimo também pediu duas, sorrindo, e se serviu de uma porção de amendoins da tigela. Não pareceu esboçar reação diante das novas cartas. Todos prontos, estava na hora de apostar. E blefar.
   - Não sei qual é o jogo de vocês, mas não vão ganhar de mim. - começou o Desejo. - É difícil resistir ao Desejo, quando ele aparece. A tentação é forte, meus caros, e sempre vence,  às vezes sem nenhum esforço, às vezes se utilizando das mais ardilosas armas. As pessoas se deixam levar pelas aparências, não conseguem negar o impulso. E, apesar de sentirem culpados pelas suas fraquezas, sempre se entregam de cabeça ao prazer momentâneo...
   - Meu amigo Desejo, não generalize... Algumas pessoas não se deixam levar pelas aparências. - retrucou a Razão.
  - Será mesmo? Eu aposto que o culto às aparências pregado pelas massas é maior que suas tolas convicções. Prazer, satisfação imediata, beleza, status social... isso é o que move a vontade das pessoas. Lanço a minha aposta: vocês cobrem, ou não?
   - É claro que sim! - respondeu a Paixão, sorrindo maliciosamente. - Não posso negar que o desejo superficial é um demônio poderoso e astuto, que faz com que as pessoas sejam tomadas pelo instinto. Mas o que é o desejo comparado ao irresistível poder da Paixão? Não subestime a vontade que move o coração dos apaixonados! Pessoas mataram e morreram por mim. Quantas histórias não foram escritas, quantas guerras não foram travadas, quantos amantes não verteram seu sangue e eternizaram seus sentimentos em meu nome? Em seu desespero, deixam-se afogar na loucura e aceitam a humilhação só para ter a ilusão de ser correspondidos. Só a Paixão, meus caros, é capaz de destruir a sanidade e entorpecer a razão! Ninguém pode escapar a esse sentimento, que não avisa quando vai fincar raízes em nossos corações. Faço a minha aposta e pergunto: alguém aqui acredita mesmo que pode cobrir esse lance?
   A Razão ergueu as sobrancelhas e deu um largo bocejo, após ouvir o discurso. Depois de alguns segundos sem ninguém ter se pronunciado, a Razão falou:
   - Você disse que a paixão é capaz de entorpecer a razão, e não vou negar esse fato. Mas você é egocêntrico demais para perceber uma coisa: quando esse sentimento se transformar em dor e sofrimento, e nada mais parecer importar, sou eu que mantenho as pessoas vivendo. Quando o coração das pessoas é esmigalhado por aqueles que se diziam ser a sua outra metade, em quem acreditaram e depositaram a sua confiança, as suas emoções, os pequenos e preciosos momentos... quando não resta mais nada além de lembranças e lágrimas, sou eu que junto os pedaços. Eu os aconselho a seguir em frente. Eu os consolo com a razão, e os faço enxergar a realidade por trás de suas escolhas inconsequentes. Eu abro os olhos dos tolos e ceifo o afeto enraizado em seus corações. Por isso, eu sou o mais capaz de ganhar o fragmento; eu, e apenas eu serei capaz de lidar com algo tão valioso, e ao mesmo tempo, tão frágil. Por isso, aumento a aposta: quem aqui é capaz de superar as mágoas e sorrir diante de uma grande decepção?
   Diante desse discurso, todos ficaram em silêncio. O Amor, que até ali tentava tomar iniciativa para dar o seu lance, estava prestes a perder as esperanças. Será que poderia arriscar tanto? Não era por falta de forças, pois isso ele tinha de sobra. Também não era por causa da sorte, pois suas cartas estavam muito boas. O Amor hesitava por um grande motivo: era ele quem mais tinha sofrido a tristeza aterradora da perda, e a do pior tipo, que é a perda de alguém que se ama...
   Era de se esperar que o Desejo apostasse todas as suas volúpias; que a Paixão, no auge de seu discurso, arriscasse a impecabilidade de seu ego; que a Razão, pondo em cheque as apostas dos adversários, colocasse suas convicções à prova de fogo. Mas, e o Amor? O Amor era forte, mas frágil. O Amor era grandioso, mas tímido. O Amor era nobre, mas altruísta. O Amor era doce, mas amargo. O Amor era intenso, mas breve. O Amor era, mas já não era mais...
   Por isso, ao olhar para suas cartas e lembrar dos momentos vivenciados, dos sonhos compartilhados, dos sentimentos dilacerados, baixou sua mão e teve medo. Medo de arriscar tudo e passar novamente pelo melhor e pelo pior que a vida pode oferecer...
   - Eu estou fora... Não posso arriscar tudo de novo. - disse o Amor, quase sem forças.
   O Desejo e a Paixão ficaram um pouco surpresos com essa atitude, mas não fizeram muita questão de encorajar o amigo. A Razão sorriu e comentou que já esperava por isso, afinal, o Amor sempre foi um chorão que vivia a se lamentar dos fracassos da vida em seus ombros. Apenas o recém-chegado, que também parecia surpreso, dava mostras de querer incentivar o amigo. Aconselhava-o, lembrando-o de suas imensas qualidades, mas de nada adiantou, pois quando o medo de amar finca raízes no coração de uma pessoa este se fecha para sempre...
   - Mas e quanto a você? - indagou a Razão ao viajante, calculista como sempre. - Não vai dar o seu lance?
   Ele apenas sorriu, confiante, e acrescentou:
   - No momento não tenho muito a dizer, além de que é um grande prazer estar aqui com todos vocês! Há muito tempo não encontrava pessoas tão interessantes, que pra mim já soam como velhos amigos... Quanto ao jogo, podem ter certeza de que eu estou dentro. Como dizem, eu pago pra ver! Aposto tudo que tenho, além de minha amizade, é claro. Não é muito, mas pode ter um grande valor, se bem cultivada!
   - Muito bem, então. - começou a Razão. - Se todos concordam, vamos às cartas, amigos! O estilo de jogo é o poker aberto tradicional. Vamos seguir a ordem dos apostadores, ok?
  Todos compreenderam a explicação e começaram a ficar tensos, pois logo saberiam quem ganharia o raríssimo pedaço de coração. O Desejo se adiantou e baixou as cartas...
   - Tenho um par de Damas. Acho que ainda estou no jogo! - sorriu ele, apostando no blefe dos outros. Mas a Paixão deu uma larga risada de desdém e baixou as cartas sem pressa, enquanto debochava:
   - Aff! Realmente achou que poderia ganhar com isso aí...? Você sempre foi um grande blefador, um enrolão nato. Mas vou te mostrar o que EU tenho... Full House! Hahaha! Acho que vocês já eram, caros amigos. - e se adiantou para agarrar o prêmio, mas a Razão a interrompeu no ato.
   - Acho que você se enganou. EU ainda não baixei minhas cartas... - e dito isto, mostrou sua mão.
   - Quadra de setes. Pelo visto, meu jogo é mais alto que o seu. Mas é como eu digo: quatro cartas, quatro perdedores... sinto muito, senhores, mas eu não jogo para perder. - sentenciou ele.
   Ver aquilo tirou a Paixão do sério, e por pouco ela não perdeu a cabeça, mas o que fazer, só restava lamentar. Maldita Razão e sua precisão calculista! E pensar que poderia ter ganhado...
   Mas foi o Amor quem mais lamentou. Diante dele, jaziam as suas cartas, que agora, por desistência, eram inúteis. Eis o seu jogo: Quadra de noves. Poderia ter vencido a Razão, se tivesse confiado em si mesmo... mas já era tarde demais.
   Foi quando a Razão ia abocanhar o monte que o último jogador se adiantou e se preparou para mostrar suas cartas. A essa altura, todos tinham se esquecido dele. O que pensar? A Razão provavelmente já tinha ganho mesmo...
   - Eu ainda não mostrei minha mão. - disse ele, sorrindo. - Aqui está: Royal Straight Flush, naipe de copas. Acho que eu venci, né?
   Todos ficaram boquiabertos. Era simplesmente o jogo mais alto. Era quase impossível acreditar que aquele simpático estranho, que tinha sido amigável e solidário com todos, ganhara o precioso fragmento de coração, derrotando o Desejo, a Paixão, a Razão e o Amor numa épica partida de poker...
  - Mas quem diabos é você? - perguntaram todos quase ao mesmo tempo, impressionados com a façanha do viajante.
   - Eu? Pensei que já tinha sido apresentado a vocês há muito tempo! Meu nome é AMIZADE, muito prazer!
   Ele agradeceu a todos e levou consigo o pedacinho de coração que, com toda a certeza, ao seu lado encontraria a verdadeira felicidade.

FIM



(Leia também: Ensaio 1.1 - Poker entre amigos | Parte 1)
http://setor003.blogspot.com/2010/07/ensaio-11-poker-entre-amigos-em.html


Image: Poker by ~Kurobu on Deviantart


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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Especial - Como um livro simples e empoeirado guardado em algum lugar da sua estante...


"Leia-me, caro amigo"

"Como um livro de capa simples, sem atrativos estéticos ou ilustrações auto-explicativas, esquecido em algum lugar da sua estante. Um dia, você por acaso decide folheá-lo, não com grande interesse, afinal, é só um livro sem graça que sempre esteve ali e você nunca se deu o trabalho de ler. Mas, no momento em que lê o primeiro parágrafo, você começa a ficar curioso sobre qual seria a história daquele livro estranho e decide fazer uma tentativa. Aos poucos, quase sem perceber, você acaba imerso na leitura, sem conseguir desgrudar dela, linha após linha, página após página, até chegar ao seu final surpreendente e imprevisível. E aí, só aí você se dará conta de quanto tempo perdeu sem dar valor aquele livro simples e empoeirado guardado em algum lugar da sua estante... aquele livro que continha nada mais, nada menos que a história mais emocionante que você poderia ter lido em toda a sua vida. E não importa quantas vezes você volte a folheá-lo, você jamais saberá o que esperar dele, pois ainda existem muitas páginas em branco; os capítulos estarão sempre mudando e a história estará sempre seguindo, até surgirem novos personagens e novos desfechos, porque a história desse livro é o romance de uma vida. Por isso, não julgue um livro pela capa; se tiver de julgá-lo, julgue-o pelo valor de sua história, pelo quanto ele lhe emocionou e lhe divertiu, e também pelo quanto ele possa ter contribuído para que você tenha escrito as suas próprias páginas. Mas acredite, caro leitor e escritor em potencial, ainda existem muitas páginas a serem escritas... e não existe nada como o tempo."



Image: Book Story1 by Azram on Deviantart



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quarta-feira, 21 de julho de 2010

Ensaio 1.1 - Poker entre amigos | Parte 1


"A sorte está lançada!"

I

   Era uma noite escura e silenciosa. Sentados à mesa - disposta irresponsavelmente nos limites de um precipício - um grupo de amigos estava reunido para uma épica partida de poker. Eram amigos de infância muito queridos, do tipo que raramente se vê hoje em dia, mas já fazia um bom tempo desde seu último encontro. Eram quatro personalidades fortes e distintas, cada qual com seus trejeitos e manias, e se chamavam Desejo, Paixão, Amor e Razão.
   Geralmente, dentre todas as coisas que costumavam aprontar juntos, as partidas de poker eram das mais hilárias, pois sempre acabavam em provocações e muita confusão. O Amor sempre insistia em tentar acalmar os ânimos e acabava sendo vítima de piadas de mau gosto; a Razão não poupava os comentários ácidos nas horas mais cruciais; a Paixão sempre conseguia fazer um assunto qualquer terminar em uma pomposa referência a si mesma; e o Desejo, que era todo gracejos e indiretas, nunca deixava os petiscos dando sopa por muito tempo. Mas, apesar de um ou outro desentendimento, sabe como são os amigos; no final das contas, sempre davam o braço a torcer e tudo acabava em uma grande algazarra.
   Esta noite, porém, estavam anormalmente tensos. Hoje havia algo muito mais importante em jogo, pois não se tratava de uma simples reunião para matar as saudades. A partida daquela noite era decisiva e visava nada mais nada menos que um raro fragmento de coração, de valor inestimável.
   Depois dos cumprimentos, abraços e tapinhas nas costas, já acomodados em seus respectivos lugares, avistaram ao longe um andarilho, coberto da cabeça aos pés por um sobretudo negro. Era um estranho aos olhos dos quatro, e parecia estar muito cansado do longo caminho que percorrera. Ao se aproximar o suficiente, ele saudou o grupo com um simpático aceno de mão e um sorriso, que demorou alguns segundos para ser correspondido.
   - Boa noite, cavalheiros! - disse ele, amigavelmente. - Vejo que os senhores estão prestes a começar um joguinho! Hahaha! Será que eu poderia me juntar a vocês? Estou bastante cansado... um pouco de descanso e um tanto de diversão entre amigos podem renovar um homem! O que me dizem?
   Surpresos, os quatro simplesmente não sabiam o que responder. Quem era esse estranho falante e por que ele havia surgido do nada a essa hora da noite, justamente no local onde haviam marcado a partida? Não sabiam dizer. Era uma baita de uma coincidência, impossível ser mera obra do acaso. Alguém deve tê-lo convidado... Mas quem? Isso despertou uma pequena desconfiança, afinal, foi combinado que estariam sozinhos aquela noite. Planejaram uma disputa fechada, ou seja, sem estranhos. Teria sido o Amor a convidá-lo, não podendo negar um pedido sincero sob certa insistência? Ou teria sido a Razão, maquinando algum truque para garantir a vitória? O Desejo não poderia ter pensado em algo tão elaborado, pois era pura impulsividade... mas, será que, justamente por isso, teria dado com a língua nos dentes? E quanto a Paixão, teria sido ela a responsável? Não, seu ego era grande demais para aceitar a ajuda de qualquer um... Ou será que não?
   Temendo até onde essa dúvida poderia chegar, os quatro concordaram em silêncio em pensar com cuidado sobre a entrada do estranho no jogo, permitindo uma maior aproximação do mesmo. Mas é claro, todos mantendo os olhos bem abertos para eventuais truques... Antes de mais nada, é preciso salientar aqui que devido ao altíssimo valor do prêmio em questão, o grupo estava alheio ao sentimento mútuo de amizade e desejava apenas ganhar a disputa, custe o que custar. Mas não devemos julgá-los por isso...
   O sujeito tirou o sobretudo e logo ficou à vontade. Em menos de meio minuto, já estava fazendo piadas e contando histórias bizarras sobre as suas viagens pelo mundo. Era tão simpático e sorridente que logo a descofiança e a tensão transformaram-se em uma divertida algazarra. E foi assim até o momento infeliz em que a Razão tomou o baralho em mãos e começou a embaralhá-lo, anunciando o início da partida decisiva. Todos engoliram em seco e o silêncio pairou mais uma vez no local.
   - O que estão apostando? - perguntou o viajante.
   Depois de uma pausa significativa, a Razão respondeu, impaciente:
   - Um item raro e extremamente valioso: um fragmento de coração. Aquele mesmo, que está no centro da mesa. É algo único no mundo, por isso, se quiser entrar no jogo, terá que apostar alto... se puder, é claro. - acrescentou, secamente.
   - Um fragmento de coração!? Nossa, realmente, isso é algo muito valioso! Não tem preço, com certeza não tem preço... - comentou o sujeito, bastante surpreso. - Por um prêmio desses, qualquer um daria até mesmo a própria vida, não acham? Impressionante... Agora que soube disso, dá mais vontade ainda de jogar com vocês. Se me permitirem, eu gostaria de entrar nessa disputa...
   Essa era a deixa que estavam esperando. Queriam saber o que cada um dos outros realmente pensava a respeito da situação. Antes que a Razão pudesse responder, o Desejo logo interviu:
   - Por mim ele pode jogar. Todos nós estamos apostando tudo nesse jogo; se ele quiser arriscar, por que não?
   - É verdade... eu também não me oponho. Fica até mais emocionante, afinal, é mais uma chance de tentarem me vencer nessa... - desdenhou a Paixão, rindo.
   A Razão olhou interrogativamente para o Amor, que apenas disse, timidamente:
   - Eu não vejo por que não... 
   Como a decisão de todos foi positiva, a Razão declarou sem demora:
  - Ok. Joguemos, então!

(...)

  Continua!

(Next: Ensaio 1.1 - Poker entre amigos | Parte 2 )
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sábado, 26 de junho de 2010

Perfil - Dica: Humano demais para ser sincero


  E não é que de repente me deparei com a obra literária de meu irmão Wolney? Criado este mês, o seu blog literário entitulado "Humano demais para ser sincero", já me interessou profundamente. E não é porque o cara é meu brother, se é isto que está pensando, caro leitor. É claro que, confesso, primeiramente o li apenas para conferir o que o gajo andava aprontando, mas não é que tive uma grande surpresa?! Não duvidava do seu potencial, longe disso, mas até que ele superou minhas expectativas iniciais... Parabéns, Wolney! Parabéns, "Caranga"! (apelido carinhoso derivado do delicioso crustáceo que, inacreditavelmente, ele nunca teve a oportunidade - e, digamos, a coragem - de provar!) Como prova de meu orgulho, cito aqui, em meu próprio blog, o seu projeto. Que continuemos escrevendo nossos pensamentos e sentimentos, até nossas mãos esfarelarem e nossos dedos caírem... Enfim, paz, amor e empatia, como dirias. Até!

Acessem: http://humanodemaisprasersincero.blogspot.com/ e confiram o trabalho do gajo!

P.s.: Peço desculpas aos leitores pela ausência de postagens neste mês de maio. Estive muito ocupado com a faculdade: trabalhos complicados, provas finais do período, enfim, sem tempo para dedicar ao blog. Mas espero que daqui para frente, tenha mais tempo sobrando, afinal, estou em férias! Hehehe!

P.p.s: Quanto ao "Ensaio 0.3 - Paraíso", creio que, depois de tanto tempo, finalmente o tenha terminado. Apesar de não estar exatamente como eu queria (por conta do espaço, o texto foi adaptado e reduzido), acho que o resultado final está razoável, para não dizer bom. Peço desculpas pela demora, contudo. ^^


Image: Bike by ~proyektvampyre on deviantart



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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Ensaio 1.0 - Indefinivelmente...




"O mundo visto pelos olhos de um Anjo..."

   "Existem pessoas que nos tocam e nem sentimos. Existem pessoas que nos ferem, mas não deixam cicatrizes. E existem pessoas como você... que, só por existir, nos marcam para sempre."
...

   Eu ainda não sabia disso naquela noite. À beira do abismo, quando pensei que seria devorado pelos meus medos, você apareceu: linda, sedutora, indefinível. Você não pensou duas vezes ao me salvar das feras e revelar o verdadeiro significado de um milagre. Graças a você, eu passei a enxergar a vida de outro jeito, resgatando uma espécie de sentimento que foi esquecido há muitos anos atrás... Por isso, por esse e por tantos outros motivos, por todas as lembranças, momentos, conversas e também por tudo que não foi dito... Muito obrigado!
   Mas, se eu pudesse ver o mundo a partir do seu olhar, não seria dessa forma que eu enxergaria o desenrolar dos fatos... e mesmo assim, seria incapaz de definir o que aconteceu, pois o valor de um milagre é - e continuará sendo - impossível de traduzir em uma palavra...


INDEFINIVELMENTE...


"Como o amor e outras quimeras.
Como a lembrança de ter sido feliz... e de ter feito alguém feliz.
Como perceber que você ainda é capaz de amar.
Como ter a certeza de que alguém ainda acredita em você.
Como o doce sabor de um novo primeiro beijo.
Como ter a esperança de vivenciar um novo final feliz.
Como sacrificar um desejo, em troca de um milagre.
Como despertar de um sonho imensuravelmente bom... 
e sorrir, mesmo diante da realidade"


 (...)

_________________________________________


   Eu estava na sala 308 naquele momento. Você estava dormindo, mas de repente acordou assustado, como se não soubesse onde estava. Eu sorri para você, mas você nem pareceu notar; olhou na minha direção sem me ver, como se eu não existisse. Pela expressão em seu rosto, parecia estar procurando desesperadamente por alguma coisa, ou por alguém. Foi aí que eu percebi que você estava me procurando, perdido entre tons de cinza e falsas ilusões. "Eu estou aqui.", dizia, mas você não me ouvia. Ninguém me ouvia. Gritava, tentava chamar sua atenção, mas não conseguia nada além do silêncio de todos.
   Eu chorei, mas ninguém enxugou minhas lágrimas; eu me senti só, mas não havia ninguém com quem conversar; eu perdi as esperanças, mas não havia ninguém para me reanimar. Eu estava perdida, pois não tinha mais ninguém. Eu não tinha você. Eu era apenas um eco invisível aos olhos do mundo...
   Você me chamou de anjo, mas tenho mais defeitos que você. Sou mulher, mãe e amiga. Sou  imperfeita e pecadora. Sou temente ao amor... mas tenho medo da solidão. Não sou anjo ou demônio, mas posso me passar por qualquer um, se desejar. Apesar disso, não passo de mais uma pessoa vivendo neste mundo, cheia de sonhos e esperanças, mas também cheia de medos e incertezas. Uma pessoa como outra qualquer...

...

   Sigo seus passos, hesitante. Ouço as estátuas, o ritmo de seu coração, os sussurros dos seus receios.. Me desespero ao pensar que você vai desistir de mim. Estamos agora no mesmo lugar em que nos beijamos pela primeira vez...o lugar onde tudo realmente começou. Lágrimas. Eu não quero desaparecer para sempre, não quero que você me esqueça. Quero dizer que te amo. Mas... será que o que eu quero sentir é o que sinto de verdade?
   Então, pela primeira vez, pensei em tudo que vivemos e finalmente entendi. Agora, eu estou pronta para abrir meu coração e te dizer o que sinto... sem esconder mais nada.


(...)

________________________________________________


   Abro os olhos. É difícil enxergar seu rosto, pois minhas lágrimas se confundem com o seu semblante. Mas ainda posso vê-los brilhando, como duas pedras preciosas, arautos da felicidade... "Vai ficar tudo bem", eles me dizem. "Eu estou aqui." Logo, não são apenas seus olhos que insistem em dizer isso, mas também seus lábios, tentando me tranquilizar. Fico feliz. Ao menos uma última vez, posso olhar bem dentro de seus olhos, sem nenhuma hesitação. Tento falar, mas ela me repreende com um gesto, dizendo que logo a ajuda chegará, que eu preciso poupar minhas forças. Eu sei que é inútil, mas concordo com a cabeça. Já é tarde... sinto que não haverão milagres hoje. Dando um sorriso, me rendo ao momento final... mas ainda há alguma coisa pendente; ainda há algo a dizer. 
   - Eu te procurei por tanto tempo... mas agora, quando finalmente te encontrei, entendi que aquilo que eu realmente procurava estava dentro de mim, o tempo todo. Eu te agradeço por isso. Muito obrigado por ter surgido na minha vida...
   Ela sorriu. Uma lágrima escorregou dos seus olhos e desceu pela sua face, como uma estrela cadente, para repousar em meu rosto pálido e sereno. Era hora de dizer adeus...
   - Você sabia que os anjos não dizem "adeus"? - perguntei, sorrindo. - Porque não existem palavras para descrever um sentimento como a saudade. Em vez disso, eles apenas vivem plenamente até o último momento... e sorriem... diante do... inevitável...

(Pois eles sabem que a vida seguirá o seu caminho, indefinivelmente...)

As cortinas negras se fecham para sempre. A última coisa que vi foram as estrelas que brilhavam intensamente, como que tentando competir com o brilho do teu olhar.


FIM



"Com o perdão de um pecador que quis apenas sonhar uma última vez..."


**Dedicado a uma pessoa muito especial, que nunca será esquecida. Obrigado por tudo e até um dia.**


Leia também: Ensaio 0.9 - Indefinível

(Next: Ensaio 1.1 - Poker entre amigos) 

Créditos:
- Imagem do título: Angel_by_Vampirenish on Deviantart. 
- Imagem do rodapé: The_Heart_Key_by_deaddamien on Deviantart.